quinta-feira, 4 de julho de 2013

Porque hei eu de escrever o que me passa?

Pela urgência de largar o peso da tormenta, no mais puro egoísmo, no nível onde se aniquila qualquer réstia de altruísmo, quando qualquer formiga causadora de cócegas se torna num tal cavalo de Tróia e o "estar grego" come todo o vislumbre do que dá a vontade pelas mais rídiculas desculpas, o desvalorizar do pequeno e do rotineiro, de quem precisa de apanhar frio para sentir o quente constante?
 Pela esperança de que as palavras se façam salvadoras e mensageiras, num acto de desespero e mesquice, forma redonda do que é a barba mole, este buço que teima em não picar e se nega aos efeitos da conjugação do natural com o tempo?
 Pela obrigação forçada à percepção, que todo o frenesim teatral despoleta, da realidade que não se abraça mesmo que nos calce os pés e nos sirva o tempo num prato limpo?

Aprume-se a razão mais pomposa que nunca a lamentação deixará de ser tinhosa.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O tarde vem cedo


estavas cheio
transbordavas
não sabias o que fazer com tudo
sobrevivias com o nada que era fácil
o que sabes que é fácil sem saber que é o difícil
~
procura agora em vão
pois o cheio evaporou
a efemeridade não o deixará chover de novo para ti
sobrevive agora com um vazio não aproveitado
descobre agora que o difícil presente seria o mais fácil dos passados

terça-feira, 2 de julho de 2013

Cricket

- Quem és tu?
- Quem sou eu eu ou quem sou eu tu?
- Quem és tu tu que o tu eu cria?
- Eu sou o tu dos julgamentos, eu sou o tu que te faz ser quem és porque questiona o que és. Sou um simplício do tu complicado e ajudo a complicar o que tu não consegues simplificar.
- Se eu me desfizer de ti que passará?
- Quem elogia a loucura não te elogiaria a ti, se não é loucura e lembra a loucura será demência, deixarias de saber distinguir água de fogo e terra de ar, cinzento seria a tua côr, serias pesado e achar-te-ias leve.

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